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quinta-feira, 9 de junho de 2011
Fábio Comparato: BRASIL, SOCIEDADE PRIVADA
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domingo, 22 de maio de 2011
Assista ao Vivo "Revolução" da Porta do Sol na Espanha
O Movimento chamado 15-M ou "Revolução Espanhola" cresceu muito desde quinta-feira e está reunindo milhares de pessoas em dezenas de cidades do país exigindo mudanças de um sistema que consideram injusto. O movimento acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE.
Sua frase de ordem é: "se vocês não nos deixam sonhar, nós não os deixaremos dormir."
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domingo, 14 de novembro de 2010
As chaves da ofensiva internacional contra as aposentadorias
Fonte: Vermelho
Para aumentar a idade para a aposentadoria, as classes dominantes argumentam com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população. Mas calam-se sobre o explosivo crescimento da produtividade do trabalho nas últimas décadas, que permitiria a todos trabalharem menos e dedicar o tempo livre para sua realização pessoal
Por Alejandro Teitelbaum*, no Diagonal Periódico
Tradução: José Carlos Ruy
Os atuais protestos e manifestações não só na França mas também em outros países poderiam indicar que se está chegando outra vez à convergência da década de 1920 entre as condições objetivas de um sistema esgotado, que evidencia suas contradições insuperáveis, e o fato de que se aprofunda entre a população a consciência da injustiça social inerente ao sistema. Os bem pensantes criticam aos jovens porque participam dos protestos na França, mas estes têm boas razões para se inquietar: com um mercado de trabalho restringido, que gera desemprego, a proposta governamental de adiar a idade de aposentadoria vai saturar ainda mais o mercado de trabalho, impedindo que boa parte das novas gerações consigam obter um primeiro emprego.
Memória: volta aos anos 20
A primeira revolução industrial (a maquinaria, que permitiu passar do trabalho artesanal à manufatura) produziu dois resultados fundamentais: o surgimento do proletariado industrial e um enorme aumento da produtividade do trabalho. Primeiro não houve limites nas jornadas de trabalho: homens, mulheres e crianças trabalhavam 16 ou 18 horas diárias, não havia descanso semanal nem férias, e muito menos aposentadoria.
Mas o novo proletariado começou a resistir e exigir melhores condições de trabalho. O auge desse movimento ocorreu na década de 1920 quando as lutas dos trabalhadores, ajudadas pelo temor que a Revolução de Outubro na Rússia provocava nos capitalistas, conseguiram a jornada semanal de 48 horas. Isto respondeu à convergência de dois fatores: o aumento da produtividade, que permitia satisfazer às demandas do mercado com menos tempo de trabalho, e a luta dos trabalhadores para melhorar suas condições de trabalho. Com o fordismo, aumentou a intensidade do trabalho, como Chaplin mostrou agudamente no filme Tempos Modernos.
Desde então a jornada de trabalho se manteve estável, embora a jornada anual tenha diminuído como resultado de férias mais prolongadas; em alguns países diminuiu também a jornada semanal. Além disso, com a revolução técnico-científica, a produtividade do trabalho aumentou vertiginosamente, o que, por outro lado, deu lugar ao toyotismo ou just-in-time. Por exemplo, segundo estatísticas oficiais do Instituto de Estatística e de Estudos Econômicos (INSEE, na sigla em francês) uma hora de trabalho assalariado na França em 2004 era 23 vezes mais produtiva do que em 1975.
A lógica que se impôs nos anos 20 indica que, se para satisfazer a demanda do mercado consumidor (de trabalhadores “ativos” e “passivos”) é preciso menos tempo de trabalho, este precisa diminuir: a jornada diária, semanal e anual. E também o tempo total da vida chamada ativa, adiantando e não atrasando a idade de aposentadoria. Porque, embora o conjunto dos trabalhadores ativos sejam relativamente cada vez menor em proporção aos aposentados, o bolo a repartir cresce mais rapidamente.
O argumento demográfico (a população envelhece, aumenta a esperança de vida) é insustentável. As elites político-econômicas, com seu cortejo de economistas, “politicólogos” e outros “especialistas” apresentam como inevitáveis políticas sociais injustas e economicamente irracionais. Na realidade, não fazem outra coisa senão defender encarniçadamente a taxa de lucro (ou taxa de exploração) dos patrões. O aspecto financeiro é secundário ou simplesmente um pretexto.
A raiz do problema é que o estado atual de desenvolvimento das forças produtivas e o formidável incremento da produtividade do trabalho poderiam permitir que se estivesse no umbral da sociedade vislumbrada por Marx há mais de um século e meio: o ser humano liberado da necessidade de boa parte dos trabalhos físicos e do trabalho alienado, e dispondo de mais tempo livre (durante sua vida ativa e aposentando-se antes) para dedicar-se à sua realização pessoal.
Mas a liberação do ser humano está em contradição com a própria essência do sistema capitalista, baseado na opressão e na exploração dos seres humanos. Por isso, quando o que se havia de fazer em função do aumento da produtividade seria diminuir o tempo de trabalho (o que permitiria a criação de novos empregos) e aumentar os salários e as aposentadorias, os donos do poder, a pretexto de combater a crise e o desemprego e de “salvar” a Previdência Social, congelam ou diminuem os salários, aumentam a idade de aposentadoria e diminuem o valor dos benefícios.
Este é o paradoxo da sociedade contemporânea na qual, enquanto uma ínfima minoria mantém confiscado o poder e acumula riquezas até a obscenidade (inclusive e ainda mais em tempos de crise) as necessindades mínimas de boa parte da população mundial permanecem insatisfeitas, tornando inalcançáveis suas legítimas aspirações materiais e espirituais.
* Alejandro Teitelbaum é advogado, especialista em relações econômicas internacionais pela Universidade de Paris I e autor do livro A Armadura do Capitalismo
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domingo, 16 de maio de 2010
Miséria é o Pricipal "Produto" do Capitalismo
Jornal La República da Espanha
Conclusão: Se não se combate a pobreza (nem fale de erradicá-la sob o capitalismo!) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável, centrada na obtenção do lucro, o que concentra a riqueza e aumenta incessantemente a pobreza e a desigualdade econômico-social.
Depois de cinco séculos de existência, isto é o que o capitalismo tem para oferecer. Que esperamos para mudar o sistema? Se a humanidade tem futuro, será claramente socialista. Com o capitalismo, em troca, não haverá futuro para ninguém. Nem para os ricos, nem para os pobres. A sentença de Friedrich Engels, e também de Rosa Luxemburgo: "Socialismo ou barbárie", é hoje mais atual e vigente que nunca. Nenhuma sociedade sobrevive quando seu impulso vital reside na busca incessante do lucro, e seu motor é a ganância. Mais cedo que tarde provoca a desintegração da vida social, a destruição do meio ambiente, a decadência política e uma crise moral. Todavia ainda temos tempo, mas não muito.
Fonte: Jornal La República, Espanha
O capitalismo tem legiões de defensores. Muitos o fazem de boa vontade, produto de sua ignorância e pelo fato de que, como dizia Marx, o sistema é opaco e sua natureza exploradora e predatória não é evidente ante os olhos de homens e mulheres. Outros o defendem porque são seus grandes beneficiários e amassam enormes fortunas, graças às suas injustiças e iniquidades.
Além do mais há outros ("gurus" financeiros, "opinólogos", jornalistas "especializados", acadêmicos "pensadores" e os diversos expoentes do "pensamento único") que conhecem perfeitamente bem os custos sociais que, em termos de degradação humana e do meio-ambiente, o sistema impõe.
No entanto, são muito bem pagos para enganar as pessoas e prosseguem com seu trabalho de forma incansável. Eles sabem muito bem, aprenderam muito bem, que a "batalha de ideias", à qual Fidel Castro nos convocou, é absolutamente estratégica para a preservação do sistema, e não retrocedem em seu empenho.
Para resistir à proliferação de versões idílicas acerca do capitalismo e de sua capacidade para promover o bem-estar geral, examinemos alguns dados obtidos de documentos oficiais do sistema pelas Nações Unidas.
Isso é sumamente didático quando se escuta, principalmente no contexto da crise atual, que a solução aos problemas do capitalismo se obtém com mais capitalismo; o que o G-20, o FMI, a OMC e o Banco Mundial, arrependidos de seus erros passados, vão poder resolver os problemas que provocam agonia à humanidade. Todas essas instituições são incorrigíveis e irreformáveis, e qualquer esperança de mudança não é nada mais que uma ilusão. Seguem propondo o mesmo, só que com um discurso diferente e uma estratégia de "Relações Públicas", desenhada para ocultar suas verdadeiras intenções. Quem tiver dúvidas que olhe o que está propondo para "solucionar" a crise na Grécia: as mesmas receitas que aplicaram e que seguem aplicando na América Latina e na África desde os anos 1980!
A seguir, alguns dados (com suas respectivas fontes) recentemente sistematizados pelo Programa Internacional de Estudos Comparativos sobre a Pobreza (CROP, na sigla em inglês), da Universidade de Bergen, na Noruega. O CROP está fazendo um grande esforço para, a partir de uma perspectiva crítica, combater o discurso oficial sobre a pobreza elaborado há mais de trinta anos pelo Banco Mundial e reproduzido incansavelmente pelos grandes meios de comunicação, autoridades governamentais, acadêmicos e vários "especialistas".
População mundial: 6,8 bilhões, dos quais:
No entanto, são muito bem pagos para enganar as pessoas e prosseguem com seu trabalho de forma incansável. Eles sabem muito bem, aprenderam muito bem, que a "batalha de ideias", à qual Fidel Castro nos convocou, é absolutamente estratégica para a preservação do sistema, e não retrocedem em seu empenho.
Para resistir à proliferação de versões idílicas acerca do capitalismo e de sua capacidade para promover o bem-estar geral, examinemos alguns dados obtidos de documentos oficiais do sistema pelas Nações Unidas.
Isso é sumamente didático quando se escuta, principalmente no contexto da crise atual, que a solução aos problemas do capitalismo se obtém com mais capitalismo; o que o G-20, o FMI, a OMC e o Banco Mundial, arrependidos de seus erros passados, vão poder resolver os problemas que provocam agonia à humanidade. Todas essas instituições são incorrigíveis e irreformáveis, e qualquer esperança de mudança não é nada mais que uma ilusão. Seguem propondo o mesmo, só que com um discurso diferente e uma estratégia de "Relações Públicas", desenhada para ocultar suas verdadeiras intenções. Quem tiver dúvidas que olhe o que está propondo para "solucionar" a crise na Grécia: as mesmas receitas que aplicaram e que seguem aplicando na América Latina e na África desde os anos 1980!
A seguir, alguns dados (com suas respectivas fontes) recentemente sistematizados pelo Programa Internacional de Estudos Comparativos sobre a Pobreza (CROP, na sigla em inglês), da Universidade de Bergen, na Noruega. O CROP está fazendo um grande esforço para, a partir de uma perspectiva crítica, combater o discurso oficial sobre a pobreza elaborado há mais de trinta anos pelo Banco Mundial e reproduzido incansavelmente pelos grandes meios de comunicação, autoridades governamentais, acadêmicos e vários "especialistas".
População mundial: 6,8 bilhões, dos quais:
- 1,02 bilhão têm desnutrição crônica (FAO, 2009)
- 2 bilhões não têm acesso a medicamentos (www.fic.nih.gov)
- 884 milhões não têm acesso a água potável (OMS/UNICEF 2008)
- 924 milhões de "sem teto" ou que vivem em moradias precárias (UN Habitat 2003)
- 1, 6 bilhão não tem eletricidade (UN Habitat, “Urban Energy”)
- 2,5 bilhões não tem acesso a saneamento básico e esgotos (OMS/UNICEF 2008)
- 774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.unesco.org)
- 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria delas de crianças com menos de 5 anos (OMS)
- 218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham em condições de escravidão ou em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes na agricultura, na construção civil ou na indústria têxtil (OIT: A Eliminação do Trabalho Infantil: Um Objetivo a Nosso Alcance, 2006)
- Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na riqueza global de 1,16% para 0,92%, enquanto que os 10% mais ricos acrescentaram mais riquezas, passando de 64,7 para 71,1% da riqueza produzida mundialmente. O enriquecimento de poucos tem como reverso o empobrecimento de muitos.
- Só esse 6,4 % de aumento da riqueza dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da população da Terra, salvando inumeráveis vidas e reduzindo as penúrias e sofrimentos dos mais pobres. Entenda-se bem: tal coisa seria obtida se tão só fosse redistribuído o enriquecimento adicional produzido entre 1988 e 2002, dos 10% dos mais ricos do planeta, deixando intactas suas exorbitantes fortunas. Mas nem sequer algo tão elementar como isso é aceitável para as classes dominantes do capitalismo mundial.
Conclusão: Se não se combate a pobreza (nem fale de erradicá-la sob o capitalismo!) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável, centrada na obtenção do lucro, o que concentra a riqueza e aumenta incessantemente a pobreza e a desigualdade econômico-social.
Depois de cinco séculos de existência, isto é o que o capitalismo tem para oferecer. Que esperamos para mudar o sistema? Se a humanidade tem futuro, será claramente socialista. Com o capitalismo, em troca, não haverá futuro para ninguém. Nem para os ricos, nem para os pobres. A sentença de Friedrich Engels, e também de Rosa Luxemburgo: "Socialismo ou barbárie", é hoje mais atual e vigente que nunca. Nenhuma sociedade sobrevive quando seu impulso vital reside na busca incessante do lucro, e seu motor é a ganância. Mais cedo que tarde provoca a desintegração da vida social, a destruição do meio ambiente, a decadência política e uma crise moral. Todavia ainda temos tempo, mas não muito.
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