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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sobre PSAT, SAT e os critérios das universidades nos Estados Unidos


por Luiz Carlos Azenha no Vi o Mundo

Caros leitores, fui secundarista nos Estados Unidos. Meu diploma de segundo grau é da Old Mill Senior High School, de Glen Burnie, um condado do estado de Maryland.

Sei o que é o teste do PSAT (preparatório) e o que é o SAT (standart admissions test).

É o equivalente do ENEM nos Estados Unidos.

Um aluno americano NUNCA é admitido em uma universidade, pública ou privada, com base apenas no resultado do teste.

O teste é considerado apenas uma medida do aprendizado que o aluno teve no ensino médio.

O julgamento das universidades, ao admitir os estudantes, é altamente subjetivo.

Leva em conta as notas do estudante no ensino médio, o resultado do SAT, uma redação do aluno sobre os motivos pelos quais escolheu aquela universidade e critérios que independem dos alunos.

Toda universidade dos Estados Unidos — de Harvard a Columbia, de Yale a Duke — leva em consideração critérios que transcendem a vontade dos alunos. Se existe um critério UNIFICADOR entre as universidades dos Estados Unidos, é o da diversidade: uma classe de alunos de um curso precisa, em maior ou menor grau, expressar a diversidade social. Por isso, há alunos ricos, pobres, bolsistas, negros, hispânicos, orientais e assim sucessivamente.

Os jecas brasileiros costumam falar em meritocracia como se o resultado de um teste fosse o critério número um de admissão no primeiro mundo.

Não é. O critério número um, pelo menos nos Estados Unidos, é de garantir que as classes expressem a diversidade social.

Quando eu estudava na Old Mill, por exemplo, minha família americana dizia que, se eu tivesse um bom desempenho nos esportes, poderia pleitear uma bolsa de estudos em uma universidade americana, com grandes chances de sucesso.

Mas eu decidi não fazer o SAT, já que tinha em mente completar o curso secundário e voltar ao Brasil. Felizmente, ao retornar, tive a sorte de ingressar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Mas, como brasileiro (ou seja, “hispânico”), teria tido grande chance de disputar uma vaga em Harvard, no MIT, em Stanford ou na Columbia.

domingo, 7 de novembro de 2010

Vi o Mundo: Enem inclui questão sobre homofobia

Na prova do Enem realizada nesse sábado, foi colocada uma questão sobre homofobia. A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – elogia a inicitiva.

“É gratificante ver as deliberações da Conferência Nacional de Educação sendo respeitadas, e esforços sendo feitos para contribuir para o cumprimento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de LGBT”, diz  o presidente Toni Reis em mensagem encaminhada hoje ao Ministério da Educação (MEC) e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A AGLBT congrega 237 organizações congêneres e objetiva a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população.

Eis a questão:

“Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus: o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a sodomia “tão péssimo e horrendo crime”, tão contrário à lei da natureza, que “era indigno de ser nomeado” e, por isso mesmo, nefando.

O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação homofóbica no País.

A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, expressa-se sob a forma de comportamentos violentos. Os textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no país estão associadas

A)    à baixa representatividade política de grupos organizados que defendem os direitos de cidadania dos homossexuais.

B)     à falência da democracia no país, que torna impeditiva a divulgação de estatísticas relacionadas à violência contra homossexuais.

C)     à Constituição de 1988, que exclui do tecido social os homossexuais, além de impedi-los de exercer seus direitos políticos.

D)    a um passado histórico marcado pela demonização do corpo e por formas recorrentes de tabus e intolerância.

E)     a uma política eugênica desenvolvida pelo Estado, justificada a partir dos posicionamentos de correntes filosófico-científicas.