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sábado, 23 de outubro de 2010

A disputa de Molina com os peritos criminais federais

A disputa de Molina com os peritos criminais federais


PF nega manipulação de interceptações telefônicas
do site da Associação de Delegados da Polícia Federal, em 13.06.2008

A Diretoria Científica da Polícia Federal nega qualquer possibilidade de manipulação das interceptações telefônicas.

A prova documental disso é o próprio arquivo da gravação, que é enviado na íntegra para a Justiça e Ministério Público. As partes do processo têm, assim, acesso a todo material.

Essa é a resposta dos peritos da PF às declarações do perito Ricardo Molina em entrevista ao site Consultor Jurídico, publicada no último domingo (8/6). O professor da Unicamp afirma que a falta de qualidade técnica das gravações feitas pela PF as invalidam como provas judiciais.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais também soltou nota oficial contestando Molina. A entidade desafia o perito a provar cientificamente uma única edição fraudulenta feita pela PF.

O perito Paulo Roberto Fagundes, diretor técnico científico da PF, diz que não existe edição das gravações, que são inteiramente disponibilizadas ao juiz e ao MP. A PF trabalha dentro da legalidade, lembra.

Para o perito, transcrever todas as conversas gravadas é um conceito antigo. “É improdutivo passar para o papel um conteúdo que está em mídia”, argumenta Fagundes. Ele afirma que a transcrição serve apenas para protelar o processo, favorecendo o réu. “Quem tem que fazer essa análise do material gravado é o juiz e o Ministério Público”, lembra. Ele diz, no entanto, que a PF faz a transcrição completa se o juiz assim decidir.

Fagundes chefia o setor responsável pela perícia técnica de toda prova produzida pela PF. Mais de mil peritos trabalham na autenticação de diversos tipos de provas como gravações telefônicas e exames biológicos. “Temos autonomia, como peritos do Estado, para analisar as provas com isenção”, afirma.

O diretor científico questiona a imparcialidade de Molina, já que ele é contratado para defender acusados nas operações da Polícia. Ele explica que os peritos da PF, por outro lado, são agentes públicos oficiais que têm sua função prevista em lei. “Não entendo por que sempre chamam o Molina para ser fiel da balança. Ele se coloca em uma posição suprema”, diz Fagundes. O perito afirma que Molina apenas faz bravatas.

Para o diretor, Molina quer descredenciar a perícia da PF com a intenção conhecer a metodologia deles, já que ele tem como trabalho a desqualificação de provas. A área de perícia, segundo Fagundes, recebe fortes investimentos no aprimoramento de equipamentos, procedimentos e formação. Hoje, há uma doutrina única de perícia de áudio no âmbito da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Além do áudio

O perito da PF Paulo Max, especialista em interceptações telefônicas, diz que os laudos de Molina são baseados apenas nos áudios das gravações. “É uma metodologia fraca”, afirma. Na PF, a perícia leva em conta outros fatores como a características dos equipamentos e o histórico das ligações. “Como somos peritos do Estado, nós temos capacidade de ir até o fundo”, diz.

O especialista diz que as eventuais interrupções nas gravações são provenientes do próprio sistema de telefonia. As falhas são as mesmas que os usuários de telefone encontram em suas conversas. “As perícias são feitas com rigor técnico”, diz. Sobre o sistema Nextel, Max lembra que a descontinuidade é própria dele, por ser uma transmissão de rádio. “O estranho seria uma ligação de Nextel sem interrupção”, argumenta.

Max explica que as gravações não são feitas pelas operadoras, para depois serem repassadas para a PF.
Elas não estão autorizadas a guardar um cópia inclusive. O trajeto entre a operadora e a Polícia é visto por Molina como um fator que possibilitaria a manipulação. De acordo com Max, o áudio da conversa é captado pela operadora, mas ele é repassado diretamente para a polícia, de forma online.

Na PF, é mantida uma cópia de segurança com o “dado bruto da gravação”, explica o perito. Esses dados são os próprios bytes das informações digitais transmitidas pelas operadoras. Se a defesa pedir e o juiz determinar, o acusado pode ter acesso a essa cópia.

Sobre a sugestão de Molina para que se criasse um selo criptográfico identificando as cópias, o perito da PF explica que não há ainda uma solução robusta que garantisse a sua autenticidade. O exemplo da indústria fonográfica para se evitar a pirataria é uma prova disso.

Desafio de peritos

Já a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais diz, em nota oficial, que Ricardo Molina demonstra novamente desconhecer procedimentos adotados pela perícia oficial. “As afirmações de Molina não encontram embasamento, algo que é inaceitável para quem se apresenta como especialista em áreas que demandam conhecimento bastante específico”, diz Octavio Brandão Caldas Netto, presidente da APCF.

Já André Luiz da Costa Morisson, chefe do Serviço de Perícias em Áudio Visual e Eletrônicos da PF, diz que não há necessidade de se periciar todo o material, a não ser quando há dificuldades de entendimento por causa da má qualidade do áudio ou quando paira dúvida sobre quem fala ao telefone.

“É claro que isso é feito após apontamento devidamente fundamentado pela parte do trecho de interesse, e com a autorização do juiz, a fim de se evitar pedidos meramente protelatórios”, explica Morisson.

A entidade questiona inclusive a formação de Molina, afirmando que ele é apenas um auxiliar técnico dos acusados. A entidade diz que ele é um músico sem formação técnica.

“Do mesmo modo que Ricardo Molina desafia a perícia da PF a detectar edições em arquivos por ele manipulados, o desafiamos a provar cientificamente que houve uma única edição fraudulenta em qualquer arquivo de áudio fruto de interceptação telefônica da PF”, diz a nota.

Leia nota da APCF

1. O Sr Ricardo Molina não é perito oficial. É apenas auxiliar técnico do acusado, contratado por este. Sem entrar especificamente na questão da integridade dele ou de qualquer outro assistente técnico, é muito mais confiável, e a sociedade entendeu assim, ao criar a figura do perito oficial no CPP, um corpo de funcionários públicos, pagos pelo contribuinte, para analisar o corpo de delito e elaborar o respectivo laudo oficial. A ação independente da perícia oficial não tende nem para a acusação, nem para a defesa, mas busca apenas ser fiel à verdade factual. Já o auxiliar técnico contratado é pago pelo acusado. Essa situação, no mínimo, fragiliza a isenção dos auxiliares.

2. As interceptações são incluídas integralmente pela polícia no inquérito. Isso não é obstáculo ao devido processo legal e à ampla defesa, mas sim uma garantia que fortalece esses princípios, basilares num estado democrático de direito;

3. Não é necessária a transcrição integral. Já há jurisprudência robusta e reiterada a respeito, inclusive no STJ (por exemplo, HC 13.274/RS, 2002/0104866-6) e STF (por exemplo, o próprio HC 91.207-9/RJ);

4. Na verificação de edição fraudulenta, a prova negativa (evidência de que não há edição fraudulenta) é inerentemente de natureza diversa da prova positiva (em que é detectada uma edição). Não só na perícia da PF, mas em qualquer lugar do mundo. E isso é evidenciado nas conclusões dos laudos emitidos pela perícia da Polícia Federal.

5. Do mesmo modo que Ricardo Molina desafia a perícia da PF a detectar edições em arquivos por ele manipulados, o desafiamos a provar cientificamente que houve uma única edição fraudulenta em qualquer arquivo de áudio fruto de interceptação telefônica da PF.

6. O Sr Ricardo Molina é músico e, ao que nos consta, não tem formação técnica para afirmar o que ele divulga a respeito de sistemas de telecomunicações. Talvez seja esse o motivo pelo qual muitos de seus quesitos técnicos tenham sido incoerentes. Questionamentos fundamentados são importantes para o esclarecimento de pontos que porventura suscitem dúvidas, porém, antes de dizer inverdades, quem realiza o questionamento referente à análise do corpo de delitoa deve estudar o assunto e respeitar os profissionais isentos do Estado que elaboram os laudos. Os peritos oficiais não recebem honorários do acusado, nem deixarão de perceber seus salários se as conclusões de seus laudos demonstrarem que os vestígios apresentados à perícia não são suficientes para uma prova material robusta.

7. Desejamos saber quais são as “normas internacionais” a que o Sr Ricardo Molina se refere e que postulariam que áudio descontínuo devido à tecnologia do sistema de telecomunicações não pode ser usado como prova. Ele deveria saber que os tempos da fita cassete já passaram e que as comunicações digitais inserem efeitos completamente diferentes de uma fita analógica.

PS do Viomundo: Dentre as muitas informações que a TV Globo sonegou aos telespectadores nos últimos dias está o fato de que o perito Ricardo Molina atuou em ação judicial movida pelo diretor de Jornalismo da emissora, Ali Kamel, numa disputa com vizinhos. Está no anexo 10 da ação 2009.001.244145-0, que corre na vigésima sétima Vara Criminal do Rio de Janeiro. O laboratório de pesquisas de Ricardo Molina de Figueiredo atuou para “comprovar” a autencidade de documentos.

Professor da Universidade de Santa Maria contesta reportagem do JN

Análise de professor da UFSM/Cesnors contesta reportagem do Jornal Nacional

Do site da universidade

José Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da UFSM/Cesnors entra na polêmica que ganhou a mídia e a campanha presidencial nessa semana

Na última quarta-feira, 20, por mais um compromisso na campanha presidencial no Rio de Janeiro, militantes do PT e do PSDB entraram em confronto. Além das discussões e do empurra-empurra, possíveis objetos teriam atingido o canditato tucano, José Serra. O Jornal Nacional da Rede Globo, deu grande repercussão ao ocorrido, analisando as imagens do encontro. A análise foi feita pelo professor Ricardo Molina, que geralmente faz declarações sobre ações da Perícia Criminal Oficial, o que acaba sendo contestado pelos casos em que Molina já se envolveu.

Segundo a análise da imagem gravada por um celular, um objeto, supostamente um rolo de fita, teria atingido Serra num segundo momento, minutos depois de uma bola de papel ter sido arremessada na cabeça do candidato. O resultado obtido pelo perito, quase convenceu o professor da UFSM/Cesnors, José Meira da Rocha. Porém, o professor digitaliza as imagens veiculadas na tv através de uma placa de vídeo, e em uma análise mais a fundo, a matéria que tomou sete minutos do Jornal Nacional seria uma grande “barriga” ou gafe jornalística.

Passando frame à frame o vídeo, Meira percebeu que na verdade aquilo não parecia nada com um rolo de fita. O depoimento do suposto especialista, que não tem grande credibilidade no campo da perícia criminal, acabou criando algo que realmente não estava ali. Se a ação da Rede Globo foi de má fé, ou foi realmente um erro jornalístico, não podemos dizer, mas que nada atingiu o candidato no vídeo em questão, isso é o que o professor afirma, em sua análise quadro à quadro.

– Na verdade o que vemos no vídeo é a imagem da cabeça de outra pessoa atrás do canditado José Serra, misturado com uma distorção da imagem de vídeo digital, ressaltou Meira.

A matéria que Meira escreveu em seu site trazendo sua conclusão em relação ao vídeo repercutiu rapidamente. As imagens quadro à quadro com a análise do professor foram parar em vários blogs e sites. O próprio site do professor acabou saindo do ar. O motivo de censura foi comentado, mas na verdade o aumento absurdo de acessos foi o que motivou a queda do site.

– Me espantou bastante a repercussão dessa matéria, porque eu fiz na madrugada entre três e cinco da manhã. Quando acordei já havia recebido e-mails falando que meu site estava fora do ar. Para ter uma ideia, tal o número de acessos, meu site estava derrubando os sites de outros clientes do servidor, aí acabaram tirando o meu do ar. Então não foi censura, foi um super sucesso que eu não estava preparado.

O material de fotos e texto foi parar no site do jornalista Paulo Henrique Amorim, o que não prejudicou a divulgação da análise, já que o site de Meira continua fora do ar. A campanha de José Serra continua utilizando a análise do perito Ricardo Molina na propaganda eleitoral, confirmando a agressão ao canditato por um rolo de fita.

Fábio Pelinson – Assessoria de Imprensa do Cesnors / Da Hora

Bolinhagate: Daniel Florencio mostra que Serra não reagiu ao rolo de fita do Molina



O Daniel Florencio não está afirmando que José Serra não foi atingido duas vezes. Está mostrando apenas que Serra não reagiu ao objeto que o perito Ricardo Molina colocou na cabeça do candidato, no Jornal Nacional.

Vi o Mundo: Bolinha na cabeça do Viomundo

Caros leitores, ontem passamos das 4 milhões de páginas vistas/mês.

Pelo jeito, tem gente que não gostou disso.

Leandro Guedes, Kauê Linden e uma turma de hackers estão trabalhando para esclarecer as denúncias de malware feitas contra o Viomundo.

A integridade do site está mantida, ele permanece no ar e não dissemina malware!

Contamos com todos para disseminar esta informação e para enfrentar os que querem evitar que você acesse o site.

Luiz Carlos Azenha

PS: Já temos indícios da origem do problema e quando a investigação for concluída pretendemos tomar as medidas legais cabíveis.

PS1: Pedimos aos leitores que copiem e disseminem o conteúdo do Viomundo em outros blogs como medida de segurança.