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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Globo se Revolta porque Dilma não quis ir ao Jornal da Globo

A Globo tem partido e seu partido é o do "mercado". É uma TV que sempre representou os interesses dos mais ricos e dos países ocidentais imperialistas como EUA. Por isso, Dilma não quis participar do teatro armado pelo Jornal da Globo para fazer política em cima da Presidenta e tentar influir na campanha eleitoral defendendo os candidatos do mercado, Aécio e Marina do banco Itaú. Marina o programa mais neoliberal da história onde quem comanda é o mercado financeiro, causando desemprego em massa, acabar com os programas sociais para pode pagar os juros que o mercado financeiro reivindicar. O movimento de junho de 2013 está totalmente enganado com o messianismo da Marina e de seu discurso da nova política. O país não está em condições de ficar arriscando com candidatos que muda de ideia de acordo com os ventos. Não podemos dar um tiro no escuro. Vale mais um pássaro na mão que dois voando.

sábado, 12 de maio de 2012

Lula. Pobres não podem pagar conta dos ricos

Do Vermelho

Lula critica países ricos e medidas de austeridade

Ao discursar em seminário sobre cooperação do Brasil com a África, que marcou as  comemorações dos 60 anos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma dura crítica aos países ricos pelo comportamento diante da crise internacional. Ele protestou contra medidas de austeridade dos países europeus que tiram direitos dos trabalhadores.

"Punem as vítimas da crise e distribuem prêmios para os responsáveis por ela. Há algo muito errado nesse caminho", afirmou Lula para uma plateia de empresários e autoridades, neste que foi seu primeiro discurso oficial, após o tratamento de câncer na laringe.

"Ao sistema financeiro, todo apoio. E aos trabalhadores e aposentados, nenhum socorro", afirmou o presidente, na fala que durou cerca de 20 minutos. Antes de começar a discursar, Lula lembrou: "Faz sete meses que não falo. Espero que não tenha desaprendido a falar".

Curado de um câncer na garganta, contra o qual fez tratamento nos últimos meses, o presidente entrou no palco do BNDES com o auxílio de uma bengala. Seu pronunciamento foi aplaudido de pé pela plateia.

"As crises sempre são respondidas da mesma forma pelos países desenvolvidos: com medidas de austeridade para os trabalhadores e distribuição de benefícios para o sistema financeiro, que causou a crise", afirmou Lula. "Olho para trás e vejo que os governantes ainda não resolveram problemas da crise de 2008. Há medo de regular o sistema financeiro", completou.

Lula exaltou as relações de cooperação entre o Brasil e o continente Africano, que ganharam grande impulso em seu governo. "Em lugar de ficarmos paralisados com a crise internacional, que não foi criada nem por brasileiros nem por africanos, precisamos estreitar relações. O Atlântico não mais nos separa, nos une nas mesmas fronteiras, nos banhamos nas mesmas águas", afirmou.

Ele elogiou as medidas que vêm sendo tomadas pelos governos africanos para enfrentar o atual cenário econômico. "Os regimes da África estão propondo medidas para aumentar o investimento e o consumo interno. A hora é de ousadia", explicou o ex-presidente.

"Distribuição de renda é a marca da África do século 21. O continente consolida a passos largos a democracia, apesar de alguns problemas que podem existir", salientou.

O ex-presidente também mostrou otimismo em relação à economia brasileira. "Esta geração de empresários está vivendo uma época de oportunidades jamais vista. O Brasil está preparado para se tornar uma das maiores potências do mundo. E não estamos falando apenas de PIB (Produto Interno Bruto), mas de distribuição de renda. E possibilidades de fazer negócios com países de todo o mundo, não apenas com Estados Unidos e Europa, como era antigamente", disse.

Nesta sexta-feira, Lula recebe o título de doutor honoris causa de cinco universidades cariocas - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Estadual do Rio (UERJ) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O evento terá a presença da presidente Dilma Rousseff (PT).

Com agências

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Consequências da Veneração ao Neoliberalismo e ao "Deus" Mercado

Suicídio na porta do parlamento choca gregos

Do vermelho


Dimitris Christoulas matou-se pelas dívidas e culpou o governo da sua situação limite antes de se disparar à cabeça. Era um farmacêutico reformado acossado pelas dívidas, que foi incapaz de enfrentar. Aconteceu nesta quarta-feira (4) pelas 9:00 h na Praça Syntagma de Atenas, lugar onde se encontra o parlamento grego.

Na sua carta de suicídio lia-se: "O governo de Tsolakoglou [primeiro ministro que em 1941 permitiu a entrada dos nazistas na Grécia, e com quem Christoulas comparou o atual premiê] aniquilou todos os vestígios da minha sobrevivência. E já que não consigo encontrar justiça, não consigo encontrar outra forma de reagir que não colocar um final decente [à minha vida], antes que começasse a procurar comida no lixo."

Testemunhas afirmam que Christoulas berrou "não quero deixar dívidas aos meus filhos" antes de morrer.

Segundo os dados do próprio Ministério de Sanidade do país heleno, os suicídios aumentaram 40% até junho de 2011, e os dados desde então possivelmente só pioraram: fome, miséria e abandonos de crianças que não podem ser atendidas são já pratos comuns à mesa da sociedade grega. Tal como os pratos de comida que Christoulas não quis "procurar no lixo", acrescentando à nota de suicídio que não podia "ter uma vida digna".

O ex-farmacêutico disse também que algum dia "nessa mesma praça" na qual ele morreu "os jovens tomarão as armas e enforcarão os traidores deste país, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945".

Homens e mulheres renderam homenagem a Dimitris Christoulas. Depositaram flores e lembranças no local da sua morte, e culparam o governo grego de ser o instigador da atitude. O suicídio gerou manifestações que resultaram em confrontos com policiais e a prisão de 12 pessoas.

Fonte: Diário da Liberdade

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Altamiro Borges e o Elogio a Aécio

O Jornalista Altamiro Borges publica texto: A Crise Mundial e a Mediocridade de Aécio (aqui). Talvez o jornalista não saiba, mas no meu entender está elogiando o Playboy das Gerais, afinal, ele passou a copiar pensamentos de alguém, coisa que não fazia nem mesmo quando governava Minas. Visto que deixava o governo nas mãos de Andréia Neves e de Anastasia.



Dedicava-se a maior parte do seu precioso tempo a desviar, a fugir do bafômetro dos policiais do Rio de Janeiro. Até que um dia foi pêgo.






E foi pêgo dirigindo uma Land Rover de propriedade da rádio "Arco-íris" da família de Aécio e da qual é sócio. Para uma rádio que declarou um patrimônio de 200 mil reais, é, no mínimo, estranho ter uma frota de carros como a segunte:

1) Toyota Fielder (station wagon)
2) Land Rover TDV8 Vogue
3) Toyota Hilux SWR SRV 4X4
4) Land Rover Discovery TD5
5) MMC L200 Sport 4X4 GLS
6) Audi A6
7) Fiat Strada Adventure Flex
8) Micro ônibus Fiat Ducato
9) Micro ônibus M Benz 312 B Sprinter M
10) Uno Mille fire
11) Gol Mil
12) Moto Honda CG 150 Titã.

São coisas que nem a ciência explica.

Oh! Minas, o que fizeste de Ti?

sábado, 8 de janeiro de 2011

A crise irlandesa: fracasso total do neoliberalismo

Fonte: Vermelho

Em artigo dinâmico e rico em informações, Eric Toussaint apresenta como a promessa de prosperidade representada pelo neoliberalismo irlandês ruiu em 2008, levando junto todos os seguidores do modelo.

Durante uma década a Irlanda foi apresentada pelos promotores mais fervorosos do capitalismo neoliberal como o modelo a seguir. O "tigre celta" ostentava uma taxa de crescimento mais elevada do que a média europeia. A taxa de tributação das empresas havia sido reduzida a 12,5% [1] e a taxa efetivamente paga pelas numerosas transnacionais que ali tinham domicílio oscilava entre 3% e 4%: um sonho! Um défice orçamental igual a 0 em 2007. Uma taxa de desemprego de 0% em 2008. Um verdadeiro encanto: todo o mundo parecia ali encontrar o seu quinhão. Os trabalhadores tinham um emprego (é certo que muitas vezes precário), as suas famílias consumiam alegremente, elas desfrutavam do efeito riqueza e os capitalistas, tanto nacionais como estrangeiros, ostentavam resultados extraordinários.

Por Eric Toussaint*
 
Em Outubro de 2008, dois ou três dias antes de o governo salvar da falência os grandes bancos "belgas" (Fortis e Dexia) a expensas dos cidadãos, Bruno Colmant, diretor da Bolsa de Bruxelas e professor de economia, publicou um artigo em Le Soir, o diário belga francófono de referência, no qual afirmava que a Bélgica devia absolutamente seguir o exemplo irlandês e desregulamentar ainda um pouco mais o seu sistema financeiro. Segundo Bruno Colmant, a Bélgica devia modificar o quadro institucional e legal a fim de se tornar uma plataforma do capital internacional como a Irlanda. Algumas semanas mais tarde, o Tigre Celta deixava de rastros. 
 
Na Irlanda, a desregulamentação financeira encorajou uma explosão dos empréstimos às famílias (o endividamento familiar havia atingido 190% do PIB na véspera da crise), nomeadamente no setor do imobiliário, o que estimulou a economia (indústria da construção, atividades financeiras, etc). O setor bancário inchou de uma forma exponencial com a instalação de numerosas sociedades estrangeiras [2] e o aumento dos ativos dos bancos irlandeses. Formaram-se bolhas bursáteis e imobiliárias. O total das capitalizações bursáteis, das emissões de obrigações e dos ativos dos bancos atingiu catorze vezes o PIB do país. 
 
Aquilo que não podia acontecer neste mundo encantador aconteceu então: em Setembro-Outubro de 2008, o castelo de cartas ruiu, as bolhas financeiras e imobiliárias explodiram. Empresas fecham ou deixam o país, o desemprego sobe em flecha (de 0% em 2008, ele salta para 14% no princípio de 2010). O número de famílias incapazes de pagar os credores cresce muito rapidamente. Todo o sistema bancário irlandês está à beira da falência e o governo, completamente em pânico e cego, garantiu o conjunto dos depósitos bancários com 489 bilhões de euros (cerca de três vezes o PIB irlandês, que se elevara a 168 mil milhões de euros). O governo nacionaliza o Allied Irish Bank, principal financiador do imobiliário, injetando 48,5 bilhões de euros (cerca de 30% do PIB). 
 
As exportações enfraquecem. As receitas do Estado baixam. O défice orçamental salta de 14% do PIB em 2009 para 32% em 2010 (mais da metade é atribuível ao apoio maciço aos bancos: 46 mil milhões de injeção de fundos próprios e 31 de compra de ativos de risco). 
 
O plano europeu de ajuda do fim de 2010, com participação do FMI, eleva-se a 85 bilhões de euros de empréstimos (dos quais 22,5 fornecidos pelo FMI) e já se verifica que será insuficiente. Em contrapartida, o remédio de cavalo imposto ao tigre celta é de fato um plano de austeridade drástico que pesa fortemente sobre o poder de compra das famílias, tendo como consequências: redução do consumo, das despesas públicas nos domínios sociais, dos salários dos servidores públicos e da infraestrutura (em proveito do reembolso da dívida) e das receitas fiscais. 
 
As principais medidas do plano de austeridade são terríveis no plano social: supressão de 24.750 empregos de funcionários (8% do efectivo, o que equivale à supressão de 350 mil empregos na França); os novos contratados receberão um salário 10% inferior; baixa das transferências sociais com diminuição dos subsídios de desemprego e familiares, redução importante do orçamento da saúde, congelamento das pensões; aumento dos impostos suportados principalmente pela maioria da população vítima da crise, nomeadamente alta do IVA de 21 para 23% em 2014; criação de uma taxa imobiliária (afeta a metade das famílias, até então livres de tributação); baixa de 1€ do salário horário mínimo (de 8,65 para 7,65 euros, ou seja, -11%).

As taxas dos empréstimos concedidos à Irlanda são muito elevadas: 5,7% para o do FMI e 6,05% para os empréstimos "europeus". Eles servirão para reembolsar os bancos e outras sociedades financeiras que comprarão os títulos da dívida irlandesa — as quais tomam emprestado a uma taxa de 1% junto ao Banco Central Europeu. Um verdadeiro presente dos deuses para os financeiros privados. Segundo a AFP, "o diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, declarou: "Isto vai andar, mas naturalmente é difícil [...] porque é duro para as pessoas que terão de fazer sacrifícios em nome da austeridade orçamental". 
 
A oposição na rua e no parlamento foi muito forte. A Dail, câmara baixa, adotou o plano de ajuda de 85 mil milhões de euros apenas por 81 votos contra 75. Longe de abandonar a sua orientação neoliberal, o FMI indicou que colocava dentre as prioridades da Irlanda a adoção das reformas para suprimir "os obstáculos estruturais aos negócios", a fim de "sustentar a competitividade nos próximos anos". O socialista Dominique Strauss-Kahn diz-se convencido de que a chegada de um novo governo após as eleições previstas para o princípio de 2011 nada mudaria: "Estou confiante de que, ainda que os partidos da oposição, o Fine Gael e o trabalhista, critiquem o governo e o programa [...], eles compreendem a necessidade de o pôr em execução". 
 
Em suma, a liberalização econômica e financeira que visava atrair a qualquer preço os investimentos estrangeiros e as sociedades financeiras transnacionais conduziu a um fracasso completo.
Para adicionar insulto ao dano que a população deve ter como resultado dessa política, o FMI eo governo da Irlanda são perseverantes na orientação neoliberal das duas últimas décadas e, sob pressão do mercado financeiro internacional, estão submetendo a população a um programa de ajustamento estrutural semelhantes às impostas aos países do Terceiro Mundo para as últimas três décadas. Entretanto, estas três décadas devem, ao contrário, servir de exemplo daquilo que não se deve fazer. Eis porque é urgente impor uma lógica radicalmente diferente, em favor dos povos e não da finança privada.
 
Notas

|1| A taxa de tributação dos lucros das empresas eleva-se a 39,5% no Japão, 39,2% na Grã-Bretanha, 34,4% em França, 28% nos Estados Unidos. 

|2| As dificuldades do banco alemão Hypo Reale Estate (salvo em 2007 pelo gouverno de Angela Merckel) e a falência do banco Bear Sterns nos EUA (comprado em Março de 2008 pelo J.P. Morgan com a ajuda da administração Bush) provém nomeadamente dos problemas dos seus fundos especulativos cuja sede era em Dublim.

*Eric Toussaint é presidente do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo - Bélgica (www.cadtm.org) , autor de O Banco Mundial: um manual crítico , Pluto, Londres, 2008.

Da redação, com informações do resistir.info

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SP: Governo Tucano aprova privatização de 25% dos leitos do SUS

Deputados de SP aprovam reserva de 25% dos leitos do SUS para planos de saúde

Para médicos, psicólogos e demais profissionais da saúde, medida vai reduzir atendimento do SUS no estado de São Paulo

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 22/12/2010


São Paulo - O governo do estado de São Paulo conseguiu aprovar, por 55 votos a favor e 18 contra, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 45/2010. O texto destina 25% dos leitos de hospitais públicos de alta complexidade, além de outros serviços hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), a pacientes particulares e de convênios médicos privados. O PLC foi à votação na noite da terça-feira (21) e enfrentou a oposição dos deputados do PT e do PSOL. Das galerias, servidores da saúde também protestaram contra a medida.

Apesar de ter sido aprovado no final de 2009, o projeto foi vetado pelo então governador José Serra (PSDB) após repercussão negativa entre entidades médicas e a ameaça de intervenção do Ministério Público caso o plano fosse aprovado. No final de novembro, o governador Alberto Goldman (PSDB), que substitui Serra desde abril, voltou a apresentar o projeto em regime de urgência.

Em mensagem à Assembleia Legislativa de São Paulo, Goldman justificou que a medida vai permitir a cobrança de serviços especializados de saúde de planos privados. "Essa parcela (40% da população do estado) se utiliza rotineiramente do atendimento das unidades estaduais especializadas (...). Não é adequado que as unidades não possam realizar a cobrança do plano que os pacientes têm", justificou o governador.
Críticas

Para os deputados de oposição e representantes da área médica, na prática a destinação de 25% dos leitos e serviços hospitares do SUS à empresas de medicina privada vai significar a redução do atendimento nas unidades públicas e criar duas filas para atendimento.

"Evidentemente que criará uma triagem para que haja mais leitos para o sistema privado dentro do sistema que já é precário", antevê Fausto Figueira, presidente da Comissão de Saúde e Higiene da Alesp.

Figueira também descarta a ideia de que o projeto vai possibilitar a cobrança dos planos de saúde por serviços do SUS. "Essa desculpa de criar lei para conseguir cobrar dos planos o que é utilizado no serviço público é uma falácia. Já existe legislação estadual e federal para isso", aponta o parlamentar.

Para o presidente do Sindsaúde-SP, Benedito Augusto de Oliveira (Benão), a medida é inviável porque não há como regulamentar a separação de leitos do SUS, para pacientes do sistema público e de empresas privadas.

"É impossível operacionalizar (essa proposta)", aponta. "Leito não é uma coisa estática. Cada dia, cada semana há um número à disposição", esclarece. "A pessoa está doente e você vai dizer a ela que ficou nos 26% e são só 25%. Isso é um crime. O contrário também em relação aos 75%", elabora. Para o dirigente sindical, o governador de São Paulo promove uma "antipolítica".

De acordo com o PLC aprovado, a definição das unidades que poderão ofertar serviços a pacientes particulares ou usuários de planos de saúde privados e demais condições para operacionalização da medida serão realizados pela Secretaria Estadual da Saúde.

domingo, 29 de agosto de 2010

Dado como morto, neoliberalismo voltou mais forte e devastador

Fonte: Vermelho

Quando explodiu a crise em 2008, muitos aproveitaram para decretar o fim do período neoliberal e anunciar que, daquele momento em diante, o Estado e a sociedade estariam novamente ditando as regras do jogo. A ideologia do livre-mercado deveria admitir o erro da crise causada e recuar. Vacinados pelo desastre, Estados e sociedade passariam a controlar os excessos do livre-mercado.

Por Paulo Ferraresi Pegino, no
Luis Nassif Online

Esse otimismo autoilusório dos setores progressistas da sociedade, ao mesmo tempo esperançoso, mas também demais envolvido emocionalmente com os fatos que se seguiam, obscureceu a capacidade de se analisar criticamente os efeitos da crise e de se perceber as respostas rápidas que poderiam surgir no contra-ataque do modelo de capitalismo de livre mercado. E foram, de fato, rápidas.

No primeiro momento da crise, como se sabe, veio o socorro aos bancos e as grandes empresas. Países ao redor do mundo derramaram cifras trilionárias de dinheiro público para salvar e premiar os especuladores que apostaram contra as vidas de milhões de trabalhadores e da sociedade em ativos artificialmente inflacionados. Enfraquecidos ideologicamente, os apostadores do livre-mercado, de fato, recuaram. Ouviram um sermão, mas recuaram com os bolsos preservados a preenchidos com o dinheiro público.

Mas, já num segundo momento, os ideólogos do livre mercado ressurgiram, agora cobrando a conta pelo rombo causado por aquele mesmo socorro trilionário nas finanças públicas. O mesmo socorro trilionário que salvou os especuladores passou a ser visto pelos economistas de plantão como sinal de gastança pública e mau gerenciamento do estado.

Empresas de rating começaram a baixar as notas de avaliação de risco dos Estados nacionais. Estes, por sua vez, e de forma articulada, se puseram a cortar os gastos sociais: pensões, direitos trabalhistas, educação, saúde, investimentos públicos, tudo congelado, cortado ou revisto para baixo.

Todos os "privilégios" sociais, incompatíveis com a modernização da gestão do estado enxuto, conforme a cartilha da mitologia do livre-mercado, foram revistos. Os que ainda não foram, estão em vias de ser. De quebra, acelera-se ainda o processo de privatizações de empresas públicas. Tudo para dar uma resposta rápida e não abalar a confiança do livre-mercado.

O modelo neoliberal, dado como morto, em pouco tempo se impõe novamente como agenda política e como a fórmula inconteste para sair da crise provocada pelo próprio modelo. Em vez de precipitar o fim do modelo, a crise o fortaleceu.

A profecia do fim do neoliberalismo tem efeito inverso: na conta do sacrifício imposto aos trabalhadores e a sociedade está, ainda, a flexibilização das leis trabalhistas e a destruição dos modelos de seguridade social. Basta se atentar para o discurso de Obama, Sarkozy, Berlusonci, etc e etc...

Além disso, na Europa e nos EUA, nunca se contratou tantas pessoas em condições de trabalho precário, temporários, meio período, etc. As grandes empresas ganham duas vezes: o Estado reduz os custos trabalhistas, e a crise as ajuda a congelar salários e demitir em massa. Os sindicatos recuam para preservar o pouco emprego que resta. Não à toa, as grandes empresas ao redor do mundo começam a publicar balanços com lucros recordes. Os trabalhadores perdem, mas o grande capital continua a ganhar.

O fim do neoliberalismo pode, na verdade, ser o começo de uma era de capitalismo ainda mais sombria para o mundo: tradicionalmente, o enfrentamento dos abusos e excessos do capitalismo é feito pelos trabalhadores organizados. Mas a crise foi uma oportunidade de ouro para o capital “higienizar” sua relação com os trabalhadores: o poder de negociação e enfrentamento dos trabalhadores está sendo aniquilada, com a ajuda decisiva dos estados nacionais.

Ainda, as grandes empresas aproveitam a debilidade causada pela crise nas pequenas e médias empresas para aniquilar ou absorver concorrentes. O mercado fica mais concentrado, os trabalhadores mais enfraquecidos e as grandes empresas ainda mais poderosas, podendo interferir ainda mais nas leis e na regulação do Estado e em toda vida social.

Fim do neoliberalismo ou o início de um neoliberalismo ainda mais devastador?